Leshy
Senhor da floresta no folclore eslavo oriental, o leshy guarda animais e árvores, desorienta viajantes e muda de tamanho e forma conforme a ocasião.
Também conhecido como: Baba-Iaga, Yaga Baba, Баба-яга
Figura dos contos de fadas eslavos, Baba Yaga é uma velha que vive numa cabana sobre pés de galinha no coração da floresta, podendo devorar o herói ou ajudá-lo. (pronúncia aproximada: BÁ-ba iá-GÁ)
Baba Yaga é a personagem mais célebre dos contos de fadas eslavos orientais. Ela aparece nas skazki, narrativas orais registradas por coletores a partir do século XVIII, como uma velha que mora numa clareira no fundo da floresta e que domina forças da natureza. O termo baba quer dizer “velha” ou “avó”, mas a origem de yaga é incerta: foram propostas relações com palavras para “doença”, “horror” ou “raiva” em línguas eslavas, sem consenso.
Quanto às raízes, alguns folcloristas veem nela uma sobrevivência de uma antiga divindade ou senhora dos animais, e há quem a relacione a ritos de iniciação, nos quais o jovem herói entra na floresta e passa por provas. Vladimir Propp, em seus estudos sobre o conto maravilhoso, destacou esse papel iniciático. Essas teorias, porém, são hipóteses de pesquisadores, e não se sabe quão antiga é a figura, nem se descende de algum culto pré-cristão.
Baba Yaga é velha, magra, de nariz comprido e dentes de ferro ou de osso em muitas versões. Voa dentro de um almofariz, impulsionando-se com o pilão e varrendo seus rastros com uma vassoura. Sua cabana gira sobre pés de galinha, e a cerca em volta é feita de ossos humanos, às vezes encimada por crânios com olhos luminosos. Em alguns contos, o portão e as fechaduras são vivos: rangem e atacam intrusos até serem tratados com gentileza, o que ilustra como a cortesia é um tema constante.
Nos contos, a velha é imprevisível. Em Vasilisa, a Bela, uma versão registrada por Afanasiev, a heroína é mandada à cabana pela madrasta para buscar fogo e sobrevive porque obedece às tarefas e usa uma boneca mágica herdada da mãe. A Baba Yaga a deixa partir com um crânio flamejante que consome as madrastas. Em outros contos, ela rapta crianças, as mantém no forno e tenta devorá-las, sendo enganada pelo herói ou por animais ajudantes.
Ela também pode ser uma doadora que oferece cavalo, armas ou conselhos a quem demonstra respeito e perguntas bem formuladas. Em algumas histórias, as perguntas feitas a ela sobre os cavaleiros que passam (o dia, o sol e a noite, em certos relatos) recebem resposta, o que costuma ser interpretado como alusão a ciclos cósmicos. Há ainda versões em que há três irmãs Baba Yaga que se ajudam entre si, o que mostra que a personagem funciona como tipo mais do que como indivíduo.
O que Baba Yaga representa é matéria de debate. Para alguns autores, é uma figura de passagem entre mundos, com a cabana na fronteira entre a vida e a morte, e a floresta como lugar de provas. Outros a leem como imagem ambivalente da mulher idosa e da maternidade, que nutre e ameaça. Há ainda leituras feministas modernas, que veem na personagem uma mulher independente e dona de saberes próprios. Todas essas leituras são interpretações posteriores aos contos.
As principais fontes são as coletâneas de contos russos, em especial os Narodnye russkie skazki, de Aleksandr Afanasiev (1855-1863), que reuniu dezenas de variantes de Baba Yaga. Há registros anteriores, do século XVIII, em coletâneas e livretos populares. Os textos foram editados por coletores letrados, que escolheram, juntaram e polarizaram versões, e devem ser lidos como reflexo parcial da narrativa oral. O trabalho de Vladimir Propp (1928, 1946) influenciou a leitura moderna dessas histórias.
Em alguns contos há uma só Baba Yaga; em outros, três irmãs com o mesmo nome. Isso sugere que o nome designava uma função narrativa.
Nas variantes, ela aparece com epítetos como “perna de osso” (Kostianaia noga), o que enfatiza seu aspecto de morte.
Figuras equivalentes existem em contos ucranianos e bielorrussos, às vezes com outros nomes e papéis.
A bibliografia moderna discute Baba Yaga como um exemplo de personagem ambivalente, estudada à luz de teorias da antropologia, da psicanálise e dos estudos de gênero. Andreas Johns dedicou a ela uma monografia, tratando-a como bruxa e mãe ambígua, e mostra a variedade de papéis nos contos. Mais recentemente, ela foi retomada em reescritas feministas e ecológicas, que valorizam seu saber sobre a natureza; trata-se de uma leitura contemporânea, e não necessariamente do sentido original.
A cabana sobre pés de galinha inspirou a peça A Cabana sobre Patas de Galinha (Baba Yaga), de Modest Mussorgski, parte de Quadros de uma Exposição (1874). A personagem aparece em Hellboy, nos quadrinhos de Mike Mignola, em jogos de fantasia e, de modo alusivo, na alcunha do protagonista de John Wick (2014). Esses usos reaproveitam a imagem de modo livre e raramente retomam a complexidade dos contos.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Senhor da floresta no folclore eslavo oriental, o leshy guarda animais e árvores, desorienta viajantes e muda de tamanho e forma conforme a ocasião.
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Nas tradições escandinavas, trolls são seres ligados a montanhas, grutas e florestas, de contornos variáveis: de gigantes brutos a povos escondidos nas colinas.
Mais da tradição Eslava: Domovoi, Leshy, Rusalka.
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