Álfar
Seres sobrenaturais da religião e do folclore nórdicos, ligados à fertilidade, aos ancestrais e ao poder de curar e de ferir, bem distintos dos elfos da fantasia moderna.
Também conhecido como: Trold (dinamarquês), Troll (nórdico antigo)
Nas tradições escandinavas, trolls são seres ligados a montanhas, grutas e florestas, de contornos variáveis: de gigantes brutos a povos escondidos nas colinas.
A palavra troll vem do nórdico antigo e, nos textos medievais, designa seres bastante diversos, muitos deles semelhantes a gigantes ou a bruxas. Nas sagas islandesas, trolls podiam ser monstros, feiticeiras ou criaturas malignas que atacam os heróis. O termo também entrava em expressões ligadas à magia, o que sugere que seu sentido era amplo e, em parte, associado a poderes sobrenaturais hostis. A origem da palavra é debatida entre linguistas.
Na tradição camponesa dos séculos posteriores, sobretudo na Noruega, na Suécia e na Dinamarca, a imagem se estabilizou de formas distintas. No norte, os trolls são grandes, desajeitados e vivem em montanhas e florestas; na Dinamarca, tendem a ser menores e a morar sob colinas, em comunidades que lembram as de outros povos escondidos. Essa variação regional indica que o termo cobriu diferentes conjuntos de crenças.
Os trolls são geralmente feios segundo os padrões humanos, com narizes enormes, olhos pequenos e corpo coberto de musgo ou pelos. Os mais gigantescos têm várias cabeças em alguns contos, enquanto os menores se parecem com anões. As trolls fêmeas costumam ser retratadas como velhas igualmente disformes. Em geral, vestem roupas camponesas antiquadas e carregam grandes pedras ou clavas, e a aparência exata muda bastante de um conto para outro.
Nas histórias populares, trolls roubam gado, raptam pessoas, exigem ouro e atacam viajantes. Um traço muito repetido é a petrificação: ao serem surpreendidos pelo sol, viram pedra, o que dá origem a explicações para formações rochosas. Motivo semelhante aparece na Edda poética, no poema Alvíssmál, em que Thor retém o anão Alvíss em conversa até o amanhecer (o texto não descreve a petrificação de modo explícito), e é frequente nos contos de trolls. Sinos de igreja os irritam, e muitos relatos dizem que a cruz e o ferro os afastam.
Os trolls figuram nos contos de Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe (Norske Folkeeventyr, 1841-1844), como no conto dos três bodes Gruff, em que um troll vive sob a ponte. Também aparecem em relatos de crianças trocadas, em que mulheres trolls substituem bebês humanos pelos seus, tema comum a outras tradições. Há, ainda, histórias de trolls que roubam jovens para casá-las ou de pessoas que se casam com eles, em geral com final infeliz.
Os trolls representam o lado selvagem e não domesticado do ambiente nórdico: montanhas, florestas e noites longas. Segundo interpretações modernas, encarnavam também o medo do estrangeiro e do outro, e sua derrota pelo sol ou pelos sinos teria um sentido de afirmação da ordem cristã sobre a paisagem. A petrificação funcionava como explicação etiológica para pedras de formato curioso. Essas leituras são hipóteses, e as comunidades podiam entender os trolls de modo menos simbólico.
As fontes se dividem em dois grupos. Os registros medievais incluem a poesia eddica e as sagas islandesas, que usam o termo para gigantes e bruxas. O segundo grupo vem de coletas de folclore dos séculos XIX e XX, como as de Asbjørnsen e Moe na Noruega e as de colecionadores na Dinamarca e na Suécia. Os dois grupos descrevem seres diferentes, e é duvidoso supor uma continuidade direta; o troll de conto de fadas é, em parte, produto das coleções oitocentistas.
Na Noruega o troll tende a ser grande e solitário; na Dinamarca e na Suécia há comunidades de trolls em colinas, mais próximas de outros povos escondidos.
Nas sagas e no folclore islandês, trolls costumam ser gigantes ou bruxas, e há muitas lendas de trolls petrificados em rochas costeiras.
Há relatos de mulheres trolls que raptam humanos ou trocam bebês. Não se deve confundi-las com a huldra, ser florestal escandinavo distinto, às vezes tratado como parente.
Estudiosos como John Lindow mostram que o troll é uma categoria fluida, que muda conforme a época e a região. O romantismo nacionalista do século XIX e artistas como Theodor Kittelsen (1857-1914) fixaram a imagem moderna do troll norueguês, e o turismo nórdico a explora até hoje. Em debates contemporâneos na internet, a palavra troll ganhou outro sentido, o de quem provoca em redes sociais, uso derivado do verbo inglês to troll, de origem diferente.
Os trolls foram popularizados por J. R. R. Tolkien em O Hobbit (1937), pelos Moomins, de Tove Jansson, por Harry Potter e pelas bonecas de cabelo colorido criadas pelo dinamarquês Thomas Dam na década de 1950, que originaram filmes de animação. Esses usos são representações modernas e podem tornar o troll divertido, cômico ou apenas monstruoso, afastando-se das lendas escandinavas.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Seres sobrenaturais da religião e do folclore nórdicos, ligados à fertilidade, aos ancestrais e ao poder de curar e de ferir, bem distintos dos elfos da fantasia moderna.
Crença europeia de que o povo feérico trocava um bebê humano por um substituto. A tradição serviu para explicar doenças, deficiências e também para justificar violência.
Figura dos contos de fadas eslavos, Baba Yaga é uma velha que vive numa cabana sobre pés de galinha no coração da floresta, podendo devorar o herói ou ajudá-lo.
Serpente monstruosa das tradições europeias, guardiã de tesouros, rios e cidades, vencida por heróis e santos; a imagem do dragão que cospe fogo se consolida na Idade Média.
Ser das tradições de povos algonquianos como ojíbuas e crees, ligado ao inverno, à fome e ao canibalismo, que funciona como alerta moral sobre a escassez e a partilha.
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