Anansi
Aranha trapaceira das histórias dos povos akan de Gana, que levou o saber e as narrativas ao mundo e atravessou o Atlântico com os africanos escravizados.
Presenças ligadas a lugares, casas, florestas, rios e ritos: protetores da mata, almas que lamentam, divindades de culto histórico ou vivo e seres de tradições religiosas. Em várias entradas a fronteira entre folclore e religião é tênue, e o texto procura respeitá-la.
17 criaturas · tradições representadas: Aborígene australiana; África Ocidental e Central; Árabe e do Oriente Médio; Brasileira (tupi e popular); Eslava; Francesa medieval; Gaélica (Irlanda e Escócia); Japonesa; Latino-americana (hispânica); Mesoamericana (nahua e asteca).
Aranha trapaceira das histórias dos povos akan de Gana, que levou o saber e as narrativas ao mundo e atravessou o Atlântico com os africanos escravizados.
Figura feminina da tradição gaélica cujo lamento, ouvido à noite, anuncia a morte de alguém de uma família. Nas lendas, não mata: avisa e chora.
Guardião das matas e da caça no folclore brasileiro, de pés virados para trás e cabelos vermelhos, que desorienta quem agride a floresta.
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Mulher-sereia dos rios brasileiros, cujo canto atrai homens para o fundo das águas. A Iara que conhecemos é em boa parte uma construção literária do século XIX.
Seres invisíveis criados de fogo sem fumaça, segundo o Alcorão, dotados de livre-arbítrio como os humanos; presentes também no folclore árabe e nas Mil e Uma Noites.
Presença que habita árvores antigas na tradição japonesa e que também dá nome ao eco das montanhas. Derrubar a árvore errada, dizem as lendas, traz consequências.
Fantasma de uma mulher que chora à beira da água à procura dos filhos que matou, figura central do folclore mexicano e hispano-americano e usada para alertar crianças.
Senhor da floresta no folclore eslavo oriental, o leshy guarda animais e árvores, desorienta viajantes e muda de tamanho e forma conforme a ocasião.
Espírito das águas venerado em vastas áreas da África Ocidental e Central e na diáspora, ligado à riqueza, à beleza e à cura, mas capaz de punir quem a ofende.
Mulher-fada da França medieval que casa com um nobre sob a condição de que ele nunca a veja aos sábados. Quando a promessa se rompe, revela a metade serpente e parte.
Divindade nahua da Mesoamérica, a Serpente Emplumada, ligada ao vento, à criação dos humanos e ao saber, e também nome de um sacerdote-rei lendário de Tollan.
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Moleque travesso de uma perna só, carapuça vermelha e cachimbo, que aparece em redemoinhos. A figura consolidada é do século XX, com origens tupi, africana e europeia discutidas.
Nome genérico dado por antropólogos a seres-serpente ligados à água, à chuva e à criação da paisagem em muitas tradições dos povos aborígenes australianos, cada qual com nome e histórias próprios.
Seres das montanhas japonesas, os tengu ora aparecem como demônios orgulhosos que perturbam o budismo, ora como guardiões dos montes e mestres de artes marciais.
Espírito feminino das nevascas no folclore japonês, a yuki-onna surge pálida em noites de tempestade e congela viajantes, embora algumas versões a mostrem poupando ou amando um homem.
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