Como as lendas chegaram ao papel
Esta linha do tempo não mostra quando os seres “surgiram”, o que seria impossível saber. Ela mostra quando certos relatos foram registrados, coletados ou estudados, e por quem. Esse dado muda a forma de ler cada fonte.
- 712 e 720
Kojiki e Nihon Shoki
O Kojiki (712) e o Nihon Shoki (720) são as duas crônicas mais antigas do Japão e reúnem mitos de criação, divindades e genealogias imperiais. Ainda hoje são a base textual de grande parte da mitologia japonesa e de referências do xintoísmo.
- início do século XII
Konjaku Monogatarishū
Coletânea japonesa de relatos de autoria desconhecida, compilada no final do período Heian. Reúne histórias da Índia, da China e do Japão, com monges, demônios e criaturas sobrenaturais, e está entre as fontes antigas de imagens como a do tengu.
- c. 1220
Edda em prosa de Snorri Sturluson
O islandês Snorri Sturluson compôs um manual de poesia escáldica que preserva grande parte da mitologia nórdica. É uma das principais fontes sobre deuses, gigantes e outros seres da tradição escandinava, embora escrita em contexto cristão.
- c. 1393
Mélusine, de Jean d’Arras
Jean d’Arras escreveu em prosa, por volta de 1392-1393, o romance da fada Melusina, por encomenda do duque Jean de Berry, com a história da fundadora da casa de Lusignan. É a principal fonte literária medieval do relato.
Veja: Melusina
- 1560
Anchieta e o Curupira
O jesuíta José de Anchieta, em carta escrita em São Vicente em 1560, descreve o Curupira como um ser temido pelos indígenas nas matas, que lhe deixavam oferendas. A carta costuma ser citada como a primeira menção escrita à figura, e mostra como o folclore brasileiro foi percebido, desde cedo, por olhos de missionários.
- c. 1575-1577
Códice Florentino
Frei Bernardino de Sahagún coordenou, com informantes e colaboradores nahuas, a obra conhecida como Códice Florentino, em náuatle e espanhol. É uma fonte central para a religião e a cultura nahua, incluindo Quetzalcoatl, e deve ser lida levando em conta o contexto colonial em que foi produzida.
Veja: Quetzalcoatl
- 1691 (publicado em 1815)
The Secret Commonwealth, de Robert Kirk
O pastor escocês Robert Kirk escreveu um tratado sobre os elfos, faunos e fadas das Terras Altas, concluído em 1691. A obra só foi impressa em 1815 e é uma fonte precoce sobre crenças gaélicas em seres do outro mundo.
Veja: Aos sí
- 1704-1717
As Mil e Uma Noites na Europa
A tradução francesa de Antoine Galland, publicada em volumes entre 1704 e 1717, popularizou na Europa os contos de As Mil e Uma Noites, nos quais os jinn têm papel de destaque. A obra moldou a imagem ocidental de gênios e lâmpadas.
Veja: Jinn
- 1812
Contos de Grimm
Os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm publicaram o primeiro volume de Kinder- und Hausmärchen em 1812, e o segundo em 1815. A coletânea teve enorme influência na ideia moderna de conto popular e no método de coleta de folcloristas.
- 1825
Crofton Croker e as lendas do sul da Irlanda
Thomas Crofton Croker publicou Fairy Legends and Traditions of the South of Ireland, com relatos reunidos entre camponeses irlandeses. A obra ajudou a divulgar figuras como o leprechaun e a banshee, ainda que com o filtro do autor.
Veja: Leprechaun, Banshee
- 1841
Asbjørnsen e Moe na Noruega
Peter Christen Asbjørnsen e Jørgen Moe começaram a publicar, em 1841, os Norske Folkeeventyr, coleta de contos noruegueses. Os trolls ganharam ali sua imagem literária, que passou à cultura popular.
Veja: Troll
- 1855-1863
Contos populares russos, de Afanássiev
Aleksandr Afanássiev publicou os Narodnye russkie skazki, a maior coletânea de contos populares russos do século XIX, com várias histórias de Baba Yaga. Foi um marco no registro do folclore eslavo.
Veja: Baba Yaga
- 1904
Kwaidan, de Lafcadio Hearn
Lafcadio Hearn, escritor de origem greco-irlandesa radicado no Japão, publicou Kwaidan em 1904, com histórias de fantasmas e criaturas, entre elas a Yuki-onna. Apresentou o folclore japonês ao público ocidental, em sua própria reelaboração.
Veja: Yuki-onna
- 1917
O inquérito sobre o saci
Em 1917, Monteiro Lobato promoveu no jornal O Estado de S. Paulo um inquérito com leitores sobre o saci, reunindo relatos de várias regiões. O material saiu em livro em 1918 e ajudou a consolidar a imagem do saci no imaginário brasileiro.
Veja: Saci
- 1930
Akan-Ashanti Folk-Tales, de Rattray
O antropólogo britânico R. S. Rattray publicou em 1930 uma coletânea de contos akan, com muitas histórias de Anansi, a partir de narrativas colhidas em Gana. É uma referência histórica, a ser lida com atenção ao seu contexto colonial.
Veja: Anansi
- 1954
Dicionário do Folclore Brasileiro
Luís da Câmara Cascudo publicou o Dicionário do Folclore Brasileiro, obra de referência que reúne entradas sobre lendas, festas e costumes do país. Influenciou gerações de leitores e pesquisadores e é fonte frequente para as figuras do folclore nacional.