Brownie
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido.
Também conhecido como: Dedushka (avozinho), Khoziain (o dono da casa), домовой
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito. (pronúncia aproximada: do-mo-VÓI)
O domovoi pertence ao conjunto de crenças camponesas sobre a casa como espaço habitado por mais do que seus moradores. Entre os eslavos orientais, a moradia tinha um centro simbólico no fogão e um limite sensível na soleira, e era justamente nesses pontos que se dizia viver o espírito. O nome deriva de dom, “casa”, e muitas famílias evitavam pronunciá-lo, preferindo tratá-lo por “avozinho” ou “dono”, em sinal de respeito e cautela.
A origem exata da crença é discutida. Há quem a relacione ao culto dos antepassados, de modo que o domovoi seria a lembrança do primeiro ocupante ou do chefe falecido da família, e quem a veja como um espírito do lugar sem vínculo necessário com os mortos. As duas leituras aparecem na literatura etnográfica, e as próprias comunidades registradas no século XIX davam explicações variadas, o que sugere que nunca houve uma doutrina única sobre sua natureza.
Raramente se descreve o domovoi com precisão, porque ele costuma ser pressentido mais do que visto. Quando aparece, é um homem idoso e pequeno, coberto de pelos, muitas vezes semelhante ao dono da casa ou a um antepassado dele. Também pode assumir forma animal, como a de um gato, um cão ou uma cobra, e há relatos em que surge como uma massa peluda e quente que se sente ao toque no escuro. Em algumas regiões acreditava-se que seu pelo cobria até as palmas das mãos.
Nos relatos camponeses, o domovoi cuida dos cavalos e do gado, trança as crinas de animais de que gosta e os deixa lustrosos, enquanto persegue aqueles de que desgosta. Faz rumores à noite, estala madeiras, derruba objetos e sobe nas camas. Esses ruídos eram lidos como sinais: um choro ou gemido podia pressagiar morte na família, e um toque suave, a sorte. Quando a casa era negligente, suja ou barulhenta demais, dizia-se que ele se irritava e passava a atormentar os moradores.
Para mantê-lo favorável, deixavam-se oferendas de pão, sal, mingau perto do fogão. Na mudança para uma casa nova havia ritual específico: levavam-se brasas do fogão antigo, às vezes em um pote ou numa botina velha, e convidava-se o espírito a acompanhar a família. Quem esquecesse o convite podia ser acusado de abandoná-lo, e a casa nova, segundo a crença, ficaria sem proteção ou seria dominada por um espírito hostil.
Como interpretação, o domovoi encarna a continuidade e o bem-estar do grupo doméstico. Ele recompensa a boa gestão da casa, a harmonia entre os moradores e o cuidado com os animais, e pune o desleixo. A necessidade de apaziguá-lo com oferendas reflete uma visão em que a prosperidade não dependia só do trabalho, mas também da relação correta com forças invisíveis ligadas ao lugar. O costume de transferi-lo para a casa nova expressa a ideia de que família e espaço formam uma unidade.
As informações vêm sobretudo de coletas etnográficas russas do século XIX, como as de Aleksandr Afanasiev e de Serguei Maksimov, e de estudos do início do século XX. Essas obras registram crenças camponesas já em transformação, muitas vezes organizadas por autores urbanos, o que exige cuidado: o quadro unificado que se encontra nos livros é uma síntese de relatos locais bastante diversos. Não há textos medievais detalhados sobre o domovoi, de modo que a antiguidade da figura é inferida, não comprovada.
Em muitas regiões o domovoi dividia o espaço com outros espíritos de ambientes específicos, como o bannik, da casa de banho, e o do estábulo ou do celeiro. Nem sempre os informantes concordavam sobre quem era quem.
Alguns relatos atribuem ao domovoi uma esposa ou figura feminina equivalente, a kikimora, que tem fama de fiar à noite e de arruinar a casa descuidada. Essa associação não é universal.
Em certas regiões acreditava-se que cada família tinha seu domovoi próprio; em outras, que ele era um espírito do lugar e permanecia na casa mesmo com a troca de moradores.
Estudiosos como Linda Ivanits situam o domovoi na chamada fé dual russa, termo discutido, em que práticas cristãs e crenças anteriores conviviam no cotidiano rural. Para pesquisadores atuais, ele ilustra como a religiosidade popular tratava a casa como espaço sagrado. Na Rússia contemporânea, o costume de pedir a proteção do domovoi na mudança de casa sobrevive em parte como superstição doméstica ou brincadeira, sem a estrutura devocional que os camponeses descreviam.
O domovoi aparece em contos e adaptações russas voltadas ao público infantil, como as histórias do pequeno Kuzia (Kuzka), criadas por Tatiana Aleksandrova e adaptadas em animação de bonecos soviética nos anos 1980, que o apresentam como um duendezinho atrapalhado e simpático. Esse retrato doméstico e cômico é uma criação moderna e se afasta do espírito ambíguo e respeitado que os camponeses descreviam. Em jogos e literatura de fantasia ocidentais, o domovoi também surge como variante eslava do brownie, o que simplifica as diferenças entre as duas tradições.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido.
Senhor da floresta no folclore eslavo oriental, o leshy guarda animais e árvores, desorienta viajantes e muda de tamanho e forma conforme a ocasião.
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Figura dos contos de fadas eslavos, Baba Yaga é uma velha que vive numa cabana sobre pés de galinha no coração da floresta, podendo devorar o herói ou ajudá-lo.
Mais da tradição Eslava: Baba Yaga, Leshy, Rusalka.
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