Domovoi
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Também conhecido como: Browny, Gruagach, Hob
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido. (pronúncia aproximada: brau-ni)
O brownie é um espírito doméstico característico das Terras Baixas da Escócia e do norte da Inglaterra, ligado a uma casa, a uma fazenda ou a uma família. O nome remete ao inglês e escocês brown, a cor do seu aspecto, mas a etimologia exata e a relação com outros espíritos domésticos de vários países são discutidas. O brownie pertence a uma ampla família europeia de seres que vivem com as pessoas, como o domovoi eslavo ou os nisse escandinavos.
A tradição tende a vê-lo como ligado ao lugar, e não à pessoa: acompanha a casa e permanece em caso de mudança de proprietário, a menos que seja ofendido. Muitos relatos insistem em que a casa servida por um brownie prospera, e que perdê-lo equivale a perder o auxílio de um morador invisível.
Os relatos o descrevem como um homenzinho de pele escura, cabelos desgrenhados e roupas rasgadas ou ausentes. Alguns narradores falam de um ser quase informe, de rosto pouco nítido, que se vê raramente. Ele evita ser observado: trabalha de noite e some se tentam espiá-lo. Em outros relatos aparece como pequeno e peludo, parecido com um velho andrajoso. A variação sugere que não havia uma imagem única, mas várias tradições locais.
O brownie realiza tarefas que a família deixou inacabadas: bate o trigo, junta o gado, limpa a cozinha, cuida das crianças. Em troca recebe uma tigela de creme ou leite, um bolo de aveia, um pouco de mel, deixados num lugar fixo. Martin Martin, em A Description of the Western Islands of Scotland (1703), registra o hábito de derramar leite sobre uma pedra para um espírito chamado Browny, nas Hébridas, o que mostra a persistência do costume.
As lendas tratam com muita severidade a ofensa. O brownie que recebe uma roupa nova como pagamento, ou é criticado pelo trabalho, vai-se para sempre, em algumas versões murmurando que se sentiu liberto ou insultado. Quando é maltratado, segundo a tradição, pode tornar-se um espírito malicioso e prejudicial, o que a tradição do norte da Inglaterra associa ao boggart: deixa de ajudar e passa a quebrar louças, estragar o leite e assustar os moradores.
O brownie reflete a ideia de que o bom funcionamento de uma casa depende de algo além do esforço visível. Como o ajudante nunca é pago em dinheiro, a regra impede que a relação seja tratada como emprego comum e a mantém no plano da cortesia e da reciprocidade. Folcloristas leem ainda nele a memória do criado rural pouco remunerado, que fazia o trabalho de que ninguém queria se lembrar. Essas são interpretações modernas, que explicam o motivo sem se apoiar em depoimentos antigos.
Os registros em inglês e escocês começam por volta dos séculos XVI e XVII, com alusões em textos da época. Martin Martin (1703) é fonte para as Hébridas. Walter Scott discute o brownie em Minstrelsy of the Scottish Border (1802–03) e em Letters on Demonology and Witchcraft (1830), e James Hogg o usa em The Brownie of Bodsbeck (1818). Katharine Briggs organizou o material em The Fairies in Tradition and Literature (1967). Quase toda a documentação é da elite letrada, não dos camponeses que cultivavam a crença.
No norte da Inglaterra, o espírito doméstico é chamado de hob, e o boggart é uma versão rancorosa, associada principalmente a Lancashire e Yorkshire. Alguns autores o tratam como um brownie ofendido; outros, como um ser diferente.
Nas Terras Altas e ilhas escocesas, o gruagach era um espírito que protegia o gado e recebia libações de leite. A figura mistura traços do brownie e de seres associados ao pasto.
Em Gales, o bwbach desempenhava papel similar, mas com fama de gostar de bebida e de se irritar com a abstinência dos moradores.
No século XX, o brownie foi redescoberto por autores de literatura infantil, que o tornaram simpático e miúdo. Estudiosos da cultura doméstica rural veem nele um indício de como as comunidades pensavam o trabalho invisível e os limites entre servir e ser servido. Também é comum comparar os espíritos domésticos de vários povos, como se fossem variantes de uma figura mais ampla.
Os escoteiros e as bandeirantes britânicos chamam de Brownies o ramo das meninas mais novas, nome tomado de The Brownies and Other Tales (1870), de Juliana Horatia Ewing. Na fantasia contemporânea, o brownie costuma ser comparado aos elfos domésticos de Harry Potter, como Dobby (parentesco temático, não filiação documentada), e aparece nos pequenos habitantes do filme Willow (1988). Em todos esses casos trata-se de reinterpretações, e não do espírito doméstico da tradição.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Pequeno ser solitário do folclore irlandês, retratado como sapateiro matreiro que guarda um tesouro e escapa de quem o captura.
Pequeno ser travesso do folclore da Cornualha e de Devon, que faz viajantes se perderem à noite e dança em círculos nos campos.
Povo sobrenatural da tradição gaélica que habita montículos, fortes antigos e colinas, vizinho poderoso dos humanos, que convém respeitar e nunca ofender.
Crença europeia de que o povo feérico trocava um bebê humano por um substituto. A tradição serviu para explicar doenças, deficiências e também para justificar violência.
Mais da tradição Britânica (Inglaterra, Escócia e ilhas): Changeling, Pixie, Selkie.
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