Aos sí
Povo sobrenatural da tradição gaélica que habita montículos, fortes antigos e colinas, vizinho poderoso dos humanos, que convém respeitar e nunca ofender.
Também conhecido como: Elfos nórdicos, Álfr (singular), Ljósálfar e dökkálfar
Seres sobrenaturais da religião e do folclore nórdicos, ligados à fertilidade, aos ancestrais e ao poder de curar e de ferir, bem distintos dos elfos da fantasia moderna. (pronúncia aproximada: ál-far)
Álfar é o plural de álfr, palavra do nórdico antigo que designa uma classe de seres sobrenaturais da religião e do folclore escandinavos. Termos aparentados aparecem em inglês antigo (ylfe) e no alemão antigo, o que indica uma crença antiga e comum aos povos germânicos. O sentido exato é discutido, e as fontes não descrevem os álfar com uniformidade: variam de poema para poema e de região para região. A palavra “elfo” deriva do mesmo conjunto de termos, mas a imagem que ela evoca hoje é outra.
Os textos nórdicos mostram os álfar ao lado dos deuses, a quem às vezes são associados. A expressão “Æsir e álfar” aparece em versos da Edda Poética, e o poema Grímnismál diz que os deuses deram a Freyr o lar de Álfheimr. Em Völundarkviða, o ferreiro Völundr é chamado de “senhor dos álfar”. As fontes não permitem dizer se os álfar eram divindades menores, espíritos ancestrais ou uma categoria própria, e os estudiosos debatem o ponto.
As fontes medievais dizem pouco sobre a aparência. Alguns textos sugerem beleza luminosa, e na poesia a expressão “bela como um álfr” aparece como elogio. Snorri Sturluson, na Edda em prosa (cerca de 1220), distingue os ljósálfar, “elfos de luz”, mais belos que o sol, e os dökkálfar, “elfos escuros”, mais negros que o piche. Muitos estudiosos acham que essa classificação é obra do próprio Snorri e talvez misture elfos e anões. Os relatos folclóricos posteriores trazem mulheres belas com costas ocas, que dançam em campos.
Há indícios de culto. Um ritual chamado álfablót, “sacrifício aos álfar”, é mencionado pelo escaldo Sigvatr Þórðarson em Austrfararvísur, por volta de 1020, que descreve ter sido recusado numa casa sueca por causa de uma cerimônia desse tipo. A saga de Kormákr narra um sacrifício aos álfar para curar um ferimento. Os textos permitem supor uma ligação com ancestrais e com a prosperidade da casa, mas não se sabe como era o rito.
Os álfar também eram associados à doença. Em inglês antigo, os encantamentos contra dores súbitas falam do “tiro dos elfos”, ylfa gescot, o que a tradição escandinava e britânica posterior chama de elf-shot. Na Escandinávia, os relatos do folclore moderno falam de elfos que dançam em prados à noite, atraem os humanos e provocam doenças, e na Islândia a crença nos huldufólk, o “povo escondido”, sobreviveu em histórias de rochas habitadas.
Os estudiosos propõem que os álfar articulam o parentesco entre vivos e mortos, a fertilidade da terra e a origem de doenças, três aspectos centrais da vida rural. A ligação com Freyr, deus da fecundidade, reforça o primeiro aspecto. A ideia de que o álfr é ao mesmo tempo belo e perigoso lembra a ambiguidade de outros povos sobrenaturais europeus. Tudo isso são hipóteses acadêmicas sobre fontes escassas e escritas já na época cristã.
As fontes principais são a Edda Poética, a poesia escaldica, as sagas islandesas e a Edda em prosa de Snorri, todas preservadas em manuscritos dos séculos XIII e posteriores, ou seja, escritos por cristãos sobre uma religião anterior. Alaric Hall, em Elves in Anglo-Saxon England (2007), estudou os elfos em inglês antigo. Jacob Grimm tratou dos elfos germânicos em Deutsche Mythologie (1835). Para o folclore, as principais bases são as coletas escandinavas e islandesas do século XIX.
A divisão entre ljósálfar e dökkálfar vem sobretudo de Snorri. Os dökkálfar são por vezes confundidos com os svartálfar, “elfos negros”, e com os anões, o que mostra uma tradição em fluxo e não uma taxonomia fechada.
No folclore dinamarquês e sueco, os elfos (ellefolk, älvor) são mulheres belas e perigosas dos bosques e prados. Na Islândia, o huldufólk vive em rochas e colinas e conservou-se na crença popular até tempos recentes.
Os ylfe da Inglaterra anglo-saxônica aparecem em encantamentos médicos e em glossas latinas. Hall sustenta que eram agentes de doença e também de fascínio, e que os textos não dão base para a ideia de pequenos seres alados.
Hoje os álfar interessam à história das religiões, aos estudos medievais e a movimentos de reconstrução do paganismo nórdico, como o heathenry ou ásatrú, que retomam a ideia de honrar os álfar em ritos domésticos. Essas práticas são reconstruções contemporâneas a partir de fontes escassas. Na Islândia, histórias sobre obras públicas desviadas por causa de rochas dos huldufólk saem de vez em quando na imprensa, e seu alcance real é difícil de medir.
Os elfos da fantasia moderna, altos, imortais e de ouvidos pontudos, derivam em grande parte de J. R. R. Tolkien, que se inspirou em fontes anglo-saxãs, nórdicas e celtas, mas criou algo próprio, e de jogos como Dungeons & Dragons. Os elfos do Natal, ajudantes do Papai Noel, foram popularizados pela literatura e pela ilustração do século XIX. Nenhum desses elfos corresponde aos álfar das fontes.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Povo sobrenatural da tradição gaélica que habita montículos, fortes antigos e colinas, vizinho poderoso dos humanos, que convém respeitar e nunca ofender.
Nas tradições escandinavas, trolls são seres ligados a montanhas, grutas e florestas, de contornos variáveis: de gigantes brutos a povos escondidos nas colinas.
Crença europeia de que o povo feérico trocava um bebê humano por um substituto. A tradição serviu para explicar doenças, deficiências e também para justificar violência.
Pequeno ser travesso do folclore da Cornualha e de Devon, que faz viajantes se perderem à noite e dança em círculos nos campos.
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Mais da tradição Escandinava e germânica: Troll.
Como escolhemos e usamos as fontes: fontes e critérios. Encontrou um erro? Avise a redação.