Kelpie
Espírito aquático escocês em forma de cavalo, que atrai viajantes ao dorso, prende-os e os arrasta para as águas. Só um arreio especial o domina.
Também conhecido como: Taniwa
Seres das tradições māori ligados a rios, mares e cavernas, às vezes guardiões de um povo e de um lugar, às vezes ameaças, e ainda presentes na cultura contemporânea de Aotearoa. (pronúncia aproximada: TÁ-ni-fa)
Na tradição māori, taniwha é um termo amplo para seres poderosos ligados à água e a lugares específicos: rios, redemoinhos, a entrada de um porto, uma caverna. Cada taniwha costuma ter nome, história e laços com um iwi (tribo) ou hapū (subtribo), e a sua existência é parte do saber do lugar. Não há um bestiário único: o que se diz de um taniwha em um rio pode não valer para outro, e o termo não deve ser reduzido a “dragão” ou “monstro”, traduções comuns, mas imprecisas.
Segundo as tradições, os taniwha podem ser ancestrais que assumiram outra forma, criaturas que chegaram com as canoas migratórias ou seres ligados à criação da paisagem. Em muitos relatos têm aspecto de lagarto ou de serpente gigante, mas também de baleia, tubarão ou até de tronco à deriva. A variedade de formas é parte da tradição e acompanha a variedade de funções.
Os relatos descrevem formas diversas: grandes répteis semelhantes a lagartos, criaturas serpentiformes, baleias, tubarões ou seres em parte humanos. Alguns têm olhos brilhantes ou escamas, outros se manifestam por sinais, como remoinhos, ondas fora de época ou sons. Em geral, a aparência importa menos que o vínculo com o lugar e o grupo. Ilustrações modernas fixam imagens, mas a tradição oral é mais flexível do que elas.
Há dois papéis centrais. O taniwha como kaitiaki, guardião, protege o povo, avisa de ameaças, guia canoas e vigia o território. Já o taniwha perigoso ataca viajantes, afoga pessoas ou devora quem passa por seu domínio, e a narrativa pode terminar com um herói que o mata ou o expulsa. Essas duas faces não se excluem: o mesmo ser pode proteger um grupo e ameaçar outro.
Um exemplo bem conhecido é o dos taniwha Ngake e Whātaitai, no porto de Wellington. Segundo a tradição, Ngake abriu a saída do porto para o mar, e Whātaitai, que ficou preso em terra, é associado às elevações de Wellington. Outro caso de projeção pública ocorreu em Waikato, onde preocupações do hapū Ngāti Naho com o abrigo do taniwha Karutahi, no rio, levaram a Transit New Zealand a ajustar o projeto de um trecho de rodovia, segundo fontes neozelandesas.
Os taniwha traduzem o respeito pela água e pelos lugares, e a ideia de que o território tem presença espiritual e exige cuidado. Podem ser entendidos como forma de lembrar perigos reais, como correntes fortes, e de afirmar ligações entre gerações e terras. São leituras possíveis, mas os iwi têm suas próprias compreensões, e as histórias fazem parte do mana (autoridade) de cada grupo.
A tradição é primordialmente oral. As coletas escritas começam no século XIX, com obras como as de Sir George Grey (Polynesian Mythology, 1855) e, no início do século XX, de Elsdon Best, e foram feitas em contextos coloniais. Para uma visão contemporânea, Margaret Orbell reuniu em 1995 uma enciclopédia ilustrada de mito e lenda māori. Estas fontes não substituem as narrativas mantidas pelos iwi e hapū, que preservam as versões locais.
Ser protetor de um iwi, associado a um rio ou ponto do litoral, que alerta contra riscos e vigia o território.
Ser que ataca viajantes e exige ação, em geral de um herói ancestral, para ser vencido ou expulso.
Réptil, serpente, baleia, tubarão ou tronco flutuante: a forma muda conforme o povo e o lugar.
Taniwha entraram no debate contemporâneo de Aotearoa sobre direitos māori, consulta a iwi e proteção de lugares significativos, em casos de obras e uso de rios. A palavra também é usada em inglês neozelandês para falar de algo ou alguém de grande poder ou de um obstáculo. Pesquisadores veem nesses usos a continuidade viva da relação māori com a terra e a água.
Os taniwha aparecem em livros ilustrados infantis, arte e nomes de lugares e produtos na Nova Zelândia, e ocasionalmente em jogos e filmes que os apresentam como dragão ou monstro aquático. Essas versões popularizam a figura, mas costumam simplificar o papel dela como kaitiaki.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Espírito aquático escocês em forma de cavalo, que atrai viajantes ao dorso, prende-os e os arrasta para as águas. Só um arreio especial o domina.
Criatura aquática do folclore japonês, o kappa tem um prato com água na cabeça, gosta de pepinos e de lutar sumô, e é acusado de afogar pessoas e animais.
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático.
Nome genérico dado por antropólogos a seres-serpente ligados à água, à chuva e à criação da paisagem em muitas tradições dos povos aborígenes australianos, cada qual com nome e histórias próprios.
Espírito das águas venerado em vastas áreas da África Ocidental e Central e na diáspora, ligado à riqueza, à beleza e à cura, mas capaz de punir quem a ofende.
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