Kitsune
Raposa dotada de poderes sobrenaturais no folclore japonês, a kitsune muda de forma, engana e seduz, mas também surge como mensageira da divindade Inari e esposa fiel em muitos relatos.
Também conhecido como: Mulher da neve, Yukijorō, 雪女
Espírito feminino das nevascas no folclore japonês, a yuki-onna surge pálida em noites de tempestade e congela viajantes, embora algumas versões a mostrem poupando ou amando um homem. (pronúncia aproximada: iu-kí ôn-na)
A yuki-onna, “mulher da neve”, pertence ao conjunto de histórias de regiões japonesas onde o inverno é longo e a neve pode matar. Uma das menções escritas mais antigas costuma ser atribuída ao Sōgi shokoku monogatari, relato de viagens do poeta Sōgi (século XV), que fala de uma mulher de branco na neve da província de Echigo. Não se sabe se a crença é muito mais antiga do que esses registros.
O nome varia: yukijorō, yuki-onba (velha da neve), yuki-warashi. A região também dá feições diferentes ao espírito. Em algumas áreas ela aparece em noites de lua cheia, em outras apenas durante nevascas, e o seu estatuto oscila entre fantasma, espírito do inverno e yōkai. Por isso é difícil falar de uma única yuki-onna; trata-se de um tema com muitas formas locais.
A yuki-onna costuma ser descrita como mulher de pele branca como a neve, longos cabelos negros, e um quimono branco ou nenhum traje, caminhando sobre a neve sem deixar pegadas. Em alguns relatos tem lábios azulados e olhos que causam pavor. Seu hálito é gelado e mortal. Há descrições que a mostram bela, enquanto outras falam de aparência assustadora, e algumas variações têm a figura derretendo-se diante do calor.
O relato mais difundido no Ocidente é o de Lafcadio Hearn, no livro Kwaidan (1904), que diz tê-lo ouvido de um camponês da região de Musashi. Dois lenhadores, Mosaku e Minokichi, abrigam-se numa cabana durante uma nevasca. Uma mulher branca entra, sopra sobre o velho Mosaku e o mata, mas poupa o jovem Minokichi, com a condição de que ele nunca fale a ninguém sobre o que viu. Anos depois, Minokichi casa-se com uma mulher chamada Oyuki, mas, ao contar o segredo à esposa, descobre que ela é a yuki-onna e ela revela quem é e vai embora, deixando os filhos aos cuidados dele.
Outras histórias seguem rumos distintos. Algumas yuki-onna atraem viajantes para a neve, congelam os que se deixam seduzir, ou pedem que seguremos o filho que carregam, e a criança vai ficando mais pesada até esmagar quem a segura. Há também relatos regionais mais leves, em que a mulher da neve aparece em noites de lua cheia de inverno e se associa a crianças. A tradição, portanto, mistura versões trágicas, assustadoras e quase familiares.
Como interpretação, a yuki-onna materializa o perigo real das nevascas, em que viajantes se perdem e morrem de frio, dando rosto a um fenômeno natural impessoal. A condição de silêncio na versão de Hearn lembra motivos universais de promessas que não podem ser quebradas, como nas histórias de esposas sobrenaturais. Alguns estudiosos propõem que a figura expresse a ambivalência do inverno, que é ao mesmo tempo bela e letal, uma leitura que não é afirmada nas fontes.
Os registros escritos mais antigos são dispersos, como o do Sōgi shokoku monogatari, e as fontes divergem sobre qual deles seria o primeiro. A versão canônica no Ocidente é a de Lafcadio Hearn (1904), que reelaborou o material em inglês e não deve ser tomada como transcrição literal de uma lenda oral.
Em certas regiões, o espírito é uma velha (yuki-onba) ou uma criança (yuki-warashi), em vez de mulher jovem.
Em alguns relatos ela pede a um viajante que carregue seu filho, que se torna cada vez mais pesado; quem resiste e o leva até a casa pode ser recompensado.
A versão de Hearn termina com a esposa desaparecendo. Em outras variantes, ela se derrete ou volta ao inverno, em histórias que lembram as de esposas sobrenaturais.
A yuki-onna se tornou um dos yōkai mais conhecidos, e a literatura acadêmica a aponta como exemplo de como Lafcadio Hearn moldou a imagem de criaturas japonesas para o público estrangeiro. Estudos de gênero analisam a figura como mulher poderosa e ao mesmo tempo ameaçadora, e há leituras ecológicas que a ligam à imprevisibilidade do clima e à vida em regiões de neve.
O filme Kwaidan (1964), de Masaki Kobayashi, adapta o relato de Hearn em um episódio visualmente marcante. A yuki-onna também aparece em mangás e animes, e o Pokémon Froslass é inspirado nela. Essas versões modernas costumam dar à personagem mais romance ou ação do que se vê nos relatos tradicionais, e não devem ser confundidas com o folclore.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Raposa dotada de poderes sobrenaturais no folclore japonês, a kitsune muda de forma, engana e seduz, mas também surge como mensageira da divindade Inari e esposa fiel em muitos relatos.
Seres das montanhas japonesas, os tengu ora aparecem como demônios orgulhosos que perturbam o budismo, ora como guardiões dos montes e mestres de artes marciais.
Criatura aquática do folclore japonês, o kappa tem um prato com água na cabeça, gosta de pepinos e de lutar sumô, e é acusado de afogar pessoas e animais.
Figura feminina da tradição gaélica cujo lamento, ouvido à noite, anuncia a morte de alguém de uma família. Nas lendas, não mata: avisa e chora.
Ser das tradições de povos algonquianos como ojíbuas e crees, ligado ao inverno, à fome e ao canibalismo, que funciona como alerta moral sobre a escassez e a partilha.
Mais da tradição Japonesa: Kappa, Kitsune, Kodama, Tengu.
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