Rusalka
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Também conhecido como: Kawataro, Gatarō, Suiko, 河童
Criatura aquática do folclore japonês, o kappa tem um prato com água na cabeça, gosta de pepinos e de lutar sumô, e é acusado de afogar pessoas e animais. (pronúncia aproximada: KAP-pa)
O kappa é um dos yōkai mais conhecidos do Japão e está presente em histórias de todas as regiões do país, sobretudo onde há rios e lagos. O nome, que pode ser entendido como “criança do rio”, é apenas um entre muitos termos locais. A criatura é descrita de maneiras bastante variadas, o que indica que o termo reuniu, ao longo dos séculos, crenças diferentes sobre seres das águas.
A origem exata do kappa é discutida. Alguns estudiosos o relacionam a divindades das águas, em particular à ideia de um espírito de rio que, decaído de seu estatuto religioso, tornou-se criatura temida. Outros ligam o kappa a macacos, lontras, tartarugas ou mesmo a ritos antigos de sacrifício às águas, hipóteses que não têm consenso. As primeiras descrições mais detalhadas surgem nas enciclopédias do período Edo, quando a figura se fixou em desenhos e catálogos de criaturas.
O kappa clássico é do tamanho de uma criança, com pele esverdeada ou azulada, bico semelhante ao de uma tartaruga, casco nas costas e membros com membranas. O elemento mais característico é a concavidade no alto da cabeça, o sara (prato), cercada por cabelo. Diz-se que ele conserva sua força enquanto o prato contém água, e fica fraco ou imóvel se ela derramar. Também se fala de braços ligados entre si, de modo que um pode ser puxado para dentro do corpo.
Nos relatos, o kappa é acusado de arrastar crianças, cavalos e gado para o fundo da água, de puxar mulheres e de roubar o shirikodama, órgão imaginário que ele retiraria pelo ânus das vítimas. Gosta de pepino e de luta sumô, e muitas histórias mostram homens que o enfrentam. Como a criatura é muito educada, um modo de vencê-lo é fazer uma reverência: o kappa retribui, a água do prato cai, e ele perde a força. Fica, então, à mercê do vencedor.
Há também histórias em que ele cumpre promessas. Um kappa capturado costuma prometer não voltar a atacar gente do lugar, ensinar remédios, ou ajudar em trabalhos de irrigação em troca da liberdade. Em algumas lendas, teria passado receitas de ossos quebrados a uma família, daí certas tradições ligadas a curandeiros. Para evitar afogamentos, eram jogados pepinos com o nome da família no rio antes de nadar, costume registrado em algumas regiões.
O kappa é frequentemente interpretado como personificação dos perigos reais dos rios, que tiravam vidas, sobretudo de crianças, e como forma de ensinar cautela. Há quem veja em sua ligação com a irrigação e com o pepino a memória de um espírito da água sazonalmente propiciado. A etiqueta que o derrota pode ser lida como comentário sobre a importância da cortesia na sociedade japonesa. São leituras acadêmicas, e as explicações populares variavam de localidade para localidade.
Descrições e ilustrações do kappa aparecem na enciclopédia Wakan Sansai Zue (1712) e em catálogos de yōkai de Toriyama Sekien, do século XVIII. A coletânea Tōno Monogatari (1910), de Yanagita Kunio, reúne relatos orais do nordeste do país, incluindo histórias de kappa. Os textos do período Edo organizam e estilizam a figura, enquanto as coletas folclóricas do século XX registram variantes locais bem mais diversas.
Em Kyūshū é comum o nome gatarō, e em outras áreas, kawataro ou kawako. Em algumas regiões o kappa é peludo como um macaco, e em outras lembra uma lontra.
Certos relatos dizem que, no inverno, o kappa vai para a montanha e passa a se chamar yamawaro, ou criança da montanha, voltando à água na primavera.
Em localidades como Kappabashi, em Tóquio, a imagem do kappa foi apropriada como mascote comercial, em contraste com os relatos de medo e respeito de séculos anteriores.
Michael Dylan Foster e outros estudiosos veem o kappa como um bom exemplo de como yōkai são reinterpretados: de ameaça dos rios passou a mascote turístico e ícone cultural. O escritor Akutagawa Ryūnosuke publicou Kappa (1927), sátira que usa a criatura para criticar a sociedade humana. O sushi de pepino, chamado kappamaki, deve o nome à preferência atribuída à criatura, o que mostra como a figura permeia a cultura cotidiana.
O kappa é frequente em animes, mangás e jogos, em especial nas obras de Mizuki Shigeru, mangaká que popularizou os yōkai no século XX. Nessas representações, ele costuma aparecer como figura cômica ou simpática, retrato moderno que se afasta do ser temido nas lendas de afogamento.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Seres das montanhas japonesas, os tengu ora aparecem como demônios orgulhosos que perturbam o budismo, ora como guardiões dos montes e mestres de artes marciais.
Presença que habita árvores antigas na tradição japonesa e que também dá nome ao eco das montanhas. Derrubar a árvore errada, dizem as lendas, traz consequências.
Ser malévolo do folclore zulu e xhosa, pequeno e ligado à água e à feitiçaria, cuja crença persiste na vida cotidiana de partes da África do Sul.
Seres do mar que, nas tradições das ilhas do norte, vivem como focas e ganham forma humana ao tirar a pele, num ciclo de amor, captura e perda.
Mais da tradição Japonesa: Kitsune, Kodama, Tengu, Yuki-onna.
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