Brownie
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido.
Também conhecido como: Pixy, Piskie, Pisky, Pobel Vean
Pequeno ser travesso do folclore da Cornualha e de Devon, que faz viajantes se perderem à noite e dança em círculos nos campos. (pronúncia aproximada: píksi)
Pixie é o nome que o folclore do sudoeste da Inglaterra, sobretudo Cornualha e Devon, dá a um povo sobrenatural pequeno e travesso. A origem da palavra é incerta: houve sugestões ligando-a a termos celtas ou escandinavos, nenhuma plenamente aceita. A figura é regional; fora do sudoeste, outros nomes designam seres parecidos, e a generalização do termo para todo o folclore feérico britânico é recente.
Os coletores do século XIX registraram várias explicações para a origem dos pixies, e elas se contradizem. Em algumas, são as almas de crianças mortas sem batismo; em outras, antigos habitantes da região que perderam o poder, ou seres que encolhem à medida que a fé cristã se espalha. Que o folclore guarde essas respostas distintas mostra que não havia dogma sobre o assunto, apenas cuidados práticos com o encontro.
Segundo os relatos, os pixies são pequenos, ágeis e vestidos de verde ou de roupas esfarrapadas. Em alguns casos têm olhos incomuns, nariz arrebitado e cabelos ruivos. Muitos relatos os mostram dançando de noite em círculos de grama pisada e cavalgando potros nos pastos, com crinas emaranhadas pela manhã. As asas, que hoje parecem inseparáveis da imagem, devem muito à ilustração vitoriana e à literatura infantil.
O traço mais característico é o desvio de caminho, chamado pixy-led. Quem atravessa um campo ou uma charneca à noite pode dar voltas sem encontrar a saída, até que reconhece o lugar como o ponto de partida. A tradição oferecia remédios: virar o casaco do avesso, levar um pedaço de pão no bolso ou rezar. A crença nessas providências aparece em coleções de Robert Hunt (Popular Romances of the West of England, 1865) e William Bottrell (Traditions and Hearthside Stories of West Cornwall, 1870).
Os pixies também ajudam: debulham trigo à noite em fazendas que lhes deixam uma tigela de leite ou creme, e recompensam a hospitalidade. Mas são sensíveis. Contam-se casos em que o ajudante deixa o trabalho ao receber roupas novas, num enredo que aparece também no brownie. Quando o encontro dá errado, segundo os relatos, o resultado vai da pequena humilhação a um prejuízo de colheita ou de saúde.
Como em outras tradições, o pixy-led dá forma ao medo de se perder em terreno difícil, como as charnecas de Dartmoor e Bodmin, onde a neblina e a ausência de marcos tornam a orientação arriscada. Os remédios simbólicos, como virar o casaco, funcionavam como atos de proteção e de reorientação. Interpretar o pixie como memória de um povo antigo, um ponto que os coletores do século XIX discutiam, é uma hipótese; não há prova de que as histórias descendam de povos reais.
Anna Eliza Bray apresentou os pixies de Devon em A Description of the Part of Devonshire Bordering on the Tamar and the Tavy (1836), um conjunto de cartas ao poeta Robert Southey. Em 1865, Robert Hunt publicou Popular Romances of the West of England, e William Bottrell lançou em 1870 as histórias de West Cornwall. São coleções de fim de época, feitas por pessoas letradas, que embelezam e organizam o material. Tony Deane e Tony Shaw, em The Folklore of Cornwall (1975), e Katharine Briggs, em The Fairies in Tradition and Literature (1967), retomam e comparam esses registros.
Na Cornualha, a forma é piskie ou pisky, e as histórias costumam ter tom mais domesticado, com lavradores que contam trabalhar ao lado deles. Em Devon o aspecto de entidade ligada à charneca é mais forte.
Alguns folcloristas citam a expressão córnica pobel vean, “povo pequeno”, para os seres feéricos. Seu uso como termo corrente na tradição oral é pouco documentado, e é preciso cautela.
Na literatura infantil e na cultura popular, pixie passou a servir de rótulo para qualquer ser feérico pequeno. Essa extensão é moderna e apaga a especificidade regional da figura.
Hoje o pixie é parte da identidade turística e cultural da Cornualha e de Devon, com festivais, lojas e locais que levam o nome. Estudiosos regionais discutem até que ponto essa imagem reflete a crença local ou foi moldada por coletores e escritores do século XIX. O renovado interesse pela língua e pelo patrimônio córnicos também reforçou o estudo da figura.
Em Harry Potter e a Câmara Secreta (1998), os pixies da Cornualha são pequenos seres azuis e barulhentos, versão cômica da figura. A expressão “pixie dust”, o pó de fada, entrou em circulação com a adaptação de Peter Pan feita pela Disney em 1953. O corte de cabelo curto chamado pixie cut também deve o nome à imagem moderna. Nenhum desses usos corresponde ao pixie dos relatos.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido.
Pequeno ser solitário do folclore irlandês, retratado como sapateiro matreiro que guarda um tesouro e escapa de quem o captura.
Povo sobrenatural da tradição gaélica que habita montículos, fortes antigos e colinas, vizinho poderoso dos humanos, que convém respeitar e nunca ofender.
Crença europeia de que o povo feérico trocava um bebê humano por um substituto. A tradição serviu para explicar doenças, deficiências e também para justificar violência.
Seres sobrenaturais da religião e do folclore nórdicos, ligados à fertilidade, aos ancestrais e ao poder de curar e de ferir, bem distintos dos elfos da fantasia moderna.
Mais da tradição Britânica (Inglaterra, Escócia e ilhas): Brownie, Changeling, Selkie.
Como escolhemos e usamos as fontes: fontes e critérios. Encontrou um erro? Avise a redação.