Naga
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático.
Também conhecido como: Apsaras, Apsarases, अप्सरा
Seres celestes femininos da tradição indiana, dançarinas e músicas da corte de Indra, também retratadas em templos budistas e hindus do Sudeste Asiático. (pronúncia aproximada: ap-sa-ra)
Apsaras são seres femininos celestes da mitologia hindu e budista, conhecidos como dançarinas e músicas das cortes divinas. O nome sânscrito é tradicionalmente explicado como “as que se movem nas águas”, e narrativas sobre a agitação do oceano de leite contam que elas nasceram das águas durante esse episódio. A etimologia é antiga, mas debatida por linguistas, e o vínculo entre apsaras e águas aparece também em outros textos.
Já o Rigveda menciona apsaras, e um dos hinos mais comentados é o diálogo entre Urvashi e o mortal Pururavas, em que a apsara deixa o marido humano depois de um acordo rompido. Nas epopeias, no Mahabharata e no Ramayana, e nos Puranas, elas formam um grupo numeroso, com nomes famosos como Urvashi, Menaka, Rambha e Tilottama, e vivem na corte de Indra, em geral ao lado dos gandharvas, os músicos celestes.
As apsaras são descritas como jovens de beleza extraordinária, ornadas com joias, guirlandas e vestidos leves, capazes de voar e de mudar de forma. A arte as representa em pose de dança, com mãos e quadris em movimento, e muitas vezes cercadas de nuvens e flores. No Sudeste Asiático, a imagem recebeu penteados e adornos locais, como os altos toucados dos relevos khmeres, o que mostra a adaptação da figura às culturas que a adotaram.
Nas narrativas, uma função frequente da apsara é a de emissária de Indra. No Mahabharata, Menaka é enviada para interromper a ascese do sábio Vishvamitra, temido por Indra como rival; da união nasce Shakuntala. O mesmo motivo se repete com outras apsaras e outros ascetas. Nesse enredo a apsara é instrumento dos deuses, e a tradição discute o caráter do sábio tanto quanto o dela.
Em outros relatos ela é amante terna, dançarina em festas divinas ou consoladora de guerreiros mortos. Algumas tradições dizem que as apsaras recebem no paraíso de Indra os heróis caídos em batalha. As narrativas variam e nem toda apsara é sedutora: Urvashi, por exemplo, se apresenta como esposa que impõe condições, e não como simples instrumento.
Como dançarinas celestes, as apsaras representam o encanto, a arte e as recompensas do céu, mas também a tentação que prova o ascetismo. Um modo de ler o ciclo de Menaka e Vishvamitra, uma interpretação e não uma doutrina, é como reflexão sobre desejo e disciplina. Em templos, as apsaras também ornamentam e consagram o espaço, indicando presença do mundo celeste na terra.
Textos sânscritos como o Rigveda, o Mahabharata, o Ramayana e os Puranas são a base. No Sudeste Asiático o testemunho principal é visual: a arquitetura khmer de Angkor, do século XII em diante, com um grande número de figuras femininas em relevo. As contagens de cerca de 1.800 figuras em Angkor Wat referem-se sobretudo a devatas, divindades femininas em pé, de frente, e não a apsaras dançantes; a convenção que distingue os dois termos é moderna, os números variam conforme o inventário e os dois nomes costumam ser confundidos. O grande relevo do Batimento do Oceano de Leite, em Angkor Wat, mostra apsaras no ar.
No hinduísmo habitam a corte de Indra; no budismo aparecem nos céus e nas decorações de templos, com a mesma função de celebrar o sagrado pela dança e pela música.
O Camboja tornou a apsara um símbolo nacional. A dança clássica khmer evoca essas figuras, e a tradição foi reconstruída no século XX, após interrupções, por artistas e mestres.
Afrescos de mulheres em Sigiriya, no Sri Lanka, são com frequência chamados de apsaras, mas a identificação é debatida entre estudiosos.
A dança khmer, em especial o Balé Real do Camboja, foi inscrita pela Unesco em lista do patrimônio imaterial, e a apsara tornou-se emblema do país. Pesquisadores também discutem como o imaginário das apsaras foi reinterpretado pelo turismo e por movimentos de revivalismo cultural. Essas são análises modernas e não parte da tradição original.
A figura é frequente em produções indianas de temática mitológica, nas quais Menaka e Urvashi aparecem em séries e filmes. No Camboja, a imagem estampa cartazes, moedas, lembranças e dá nome à Autoridade Apsara, órgão que protege o sítio de Angkor. São usos contemporâneos, que não esgotam a complexidade da tradição.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático.
Seres sobrenaturais da religião e do folclore nórdicos, ligados à fertilidade, aos ancestrais e ao poder de curar e de ferir, bem distintos dos elfos da fantasia moderna.
Nas crenças eslavas orientais, a rusalka é o espírito de uma jovem morta de modo violento ou antes do tempo, associada a rios, lagos e campos, que volta à terra na semana das rusálias.
Divindade nahua da Mesoamérica, a Serpente Emplumada, ligada ao vento, à criação dos humanos e ao saber, e também nome de um sacerdote-rei lendário de Tollan.
Mais da tradição Indiana e do Sudeste Asiático: Naga.
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