Long, o dragão chinês
Criatura composta ligada à chuva, às águas e ao poder legítimo. O lóng chinês não é o monstro a ser vencido do Ocidente, e sim uma força que rege as águas.
Também conhecido como: Nāga, Serpentes divinas indianas, नाग
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático. (pronúncia aproximada: na-ga)
Naga é a palavra sânscrita para serpente, e na mitologia indiana designa uma classe de seres semidivinos de forma de cobra, humana ou mista. Habitam o mundo subterrâneo, rios e lagos, e guardam tesouros e segredos. O hinduísmo os apresenta como descendentes de Kadru, esposa de Kashyapa, e o budismo os incorpora como seres poderosos, por vezes devotos do Buda. A palavra serve tanto a serpentes comuns quanto a entidades de grande poder, e o contexto define o sentido.
No Mahabharata, os nagas são alvo do sacrifício de serpentes de Janamejaya, interrompido pela intercessão do sábio Astika. Outros episódios os mostram como aliados: Vasuki serve de corda no batimento do oceano de leite, e Shesha, também chamado Ananta, sustenta Vishnu em repouso. Nessas histórias a relação entre nagas e humanos oscila entre medo e reverência.
Os nagas aparecem como cobras com capelo de várias cabeças, como seres humanos com um capuz de serpente atrás da cabeça ou como figuras de torso humano e cauda de cobra. O número de cabeças, em geral cinco, sete ou nove, varia conforme a tradição. As fêmeas, as naginis, são descritas como belas e sedutoras. A arte de Angkor e de templos tailandeses e laosianos cobre balaustradas com nagas de múltiplas cabeças que guiam o visitante para o interior sagrado.
Na tradição budista, o naga Mucalinda protege o Buda enrolando-se em seu corpo e abrindo o capelo sobre sua cabeça durante uma tempestade, depois de seu despertar. A cena é representação clássica na arte. Outra tradição, preservada em fontes budistas posteriores, diz que o mestre Nagarjuna recebeu textos da Perfeição da Sabedoria guardados no reino dos nagas, relato de natureza devocional e lendária.
No Sudeste Asiático os nagas sustentam mitos de origem. Uma narrativa conhecida conta que o fundador de um reino se casou com uma princesa naga, filha do rei das águas, e que a terra do novo país surgiu da água que ela sorveu; versões variam quanto aos nomes e detalhes, e aparecem em inscrições antigas e em crônicas posteriores. Em Nong Khai, na Tailândia, o festival das bolas de fogo de Phaya Nak atribui a luzes que sobem do Mekong a ação desses seres, e explicações naturais são discutidas.
A serpente que vive nas águas e na terra liga mundos, e por isso os nagas simbolizam a ligação entre superfície e subsolo, chuva e fertilidade. Os nagas guardam o que está escondido, seja tesouro, seja conhecimento. Em contextos reais, a imagem de nagas em pontes e balaustradas é lida como travessia simbólica entre o mundo profano e o espaço sagrado, uma interpretação de historiadores da arte.
O Mahabharata e os Puranas são as principais fontes hindus, e os textos budistas, entre eles relatos do Vinaya, trazem a história de Mucalinda. J. Ph. Vogel reuniu, em 1926, em Indian Serpent-Lore, o material literário e artístico sobre os nagas na Índia. No Sudeste Asiático o testemunho é epigráfico e visual, com inscrições khmeres e relevos de Angkor, e a maior parte das narrativas locais foi registrada em crônicas ou coletada em períodos recentes.
Nas tradições hindus, nagas são filhos de Kadru, vivem em Patala e figuram em festas como Naga Panchami, em que serpentes são honradas com oferendas.
No budismo são seres poderosos que podem se converter, proteger o Buda e guardar textos, mas também se enfurecer e causar tempestades.
Na Tailândia e no Laos, o naga do rio é objeto de culto e de festivais, e os templos ostentam nagas nas escadarias e telhados.
O nome dos povos Naga, do nordeste da Índia e de Mianmar, não tem relação demonstrada com as serpentes mitológicas; a origem do etnônimo é discutida.
Estudos modernos veem nos nagas ecos de cultos locais anteriores a hinduísmo e budismo, absorvidos pelas religiões que chegaram. Isso é hipótese de pesquisadores sobre sincretismo, não registro de fontes antigas. Os nagas também são tema de debates sobre a relação entre rios, santuários e o poder de reinos antigos do Sudeste Asiático.
Nagas aparecem como monstros em Dungeons & Dragons e em outros jogos de fantasia, geralmente com traços diferentes dos asiáticos. O nome de Nagini, a serpente de Harry Potter, lembra a palavra sânscrita para naga fêmea. São representações modernas e não equivalem à tradição.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Criatura composta ligada à chuva, às águas e ao poder legítimo. O lóng chinês não é o monstro a ser vencido do Ocidente, e sim uma força que rege as águas.
Seres celestes femininos da tradição indiana, dançarinas e músicas da corte de Indra, também retratadas em templos budistas e hindus do Sudeste Asiático.
Nome genérico dado por antropólogos a seres-serpente ligados à água, à chuva e à criação da paisagem em muitas tradições dos povos aborígenes australianos, cada qual com nome e histórias próprios.
Seres das tradições māori ligados a rios, mares e cavernas, às vezes guardiões de um povo e de um lugar, às vezes ameaças, e ainda presentes na cultura contemporânea de Aotearoa.
Serpente monstruosa das tradições europeias, guardiã de tesouros, rios e cidades, vencida por heróis e santos; a imagem do dragão que cospe fogo se consolida na Idade Média.
Mais da tradição Indiana e do Sudeste Asiático: Apsara.
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