Kumiho
Raposa de nove caudas dos contos coreanos, que assume forma de mulher bela para enganar e, em muitas versões, devorar homens. Algumas histórias lhe dão final trágico.
Também conhecido como: Goblin coreano, 도깨비
Ser travesso do folclore coreano, nascido muitas vezes de objetos velhos. Gosta de lutas e brincadeiras, prega peças e, com sorte, recompensa os humildes. (pronúncia aproximada: dô-ke-bi)
O dokkaebi (도깨비) é um dos seres mais populares do folclore coreano. Nos contos, é uma figura que muda de forma, prega peças, gosta de comer, beber e lutar, e é capaz de dar riqueza a quem o trata bem. É frequentemente traduzido como “goblin”, mas a palavra inglesa cobre uma gama de criaturas europeias que só em parte se parece com ele. Os dokkaebi não são exatamente fantasmas, como os gwisin, nem deuses; ocupam um lugar intermediário.
A origem do ser é discutida. Uma explicação difundida diz que objetos antigos, como vassouras, pilões e bastões manchados de sangue, ganham vida e viram dokkaebi. Estudiosos propõem também laços com figuras de países vizinhos, como os oni japoneses, ou com a tradição de seres da natureza e de fogo-fátuo, chamado de dokkaebi-bul, o “fogo do dokkaebi”. Nenhuma dessas hipóteses é consensual, e as fontes escritas antigas são escassas.
As descrições variam muito. Muitas versões apresentam um ser grande e peludo, às vezes com um chifre ou uma cabeça disforme, trajado de modo tradicional; outras o descrevem como um homem comum, ou somente como uma luz ou uma voz. A imagem de um monstro de chifres e presas, comum em ilustrações modernas, é em boa parte de origem tardia e sofreu influência da iconografia dos oni. Os contos populares costumam dar mais importância ao que o dokkaebi faz do que à sua aparência.
O dokkaebi gosta de testar os humanos. Há contos em que convida viajantes noturnos a lutar sumô (ssireum), e quem sabe vencer ganha recompensa; também fala-se de dokkaebi que atrapalham quem o ofende. Seu objeto mais famoso é o bangmangi, um porrete que produz o que se pede quando batido no chão. Um conto recorrente conta que um homem pobre, ao enganar ou agradar um dokkaebi, enriquece, enquanto um vizinho ganancioso tenta imitá-lo e acaba punido.
Outro objeto lembrado é o dokkaebi gamtu, um chapéu que torna invisível quem o veste. Os dokkaebi aparecem em pontes, estradas e casas abandonadas. Muitos relatos são cômicos, de moral simples: a esperteza e a generosidade são recompensadas, e a avareza, castigada. Em outros, o dokkaebi é perigoso, o que mostra que a figura não é unívoca.
O dokkaebi encarna a ideia de que a sorte e o castigo podem chegar do inesperado. Os contos reforçam valores como a generosidade e a coragem, e a figura do pobre premiado dá voz a quem tinha pouco poder na sociedade. Leitores modernos também notam que o dokkaebi permite falar do medo do escuro e dos caminhos solitários com humor e familiaridade. Essas são interpretações de estudiosos, não explicações oferecidas pelos contadores.
O dokkaebi é conhecido sobretudo por contos orais, coletados em obras como as de Zong In-sob (Folk Tales from Korea, 1952) e Kim So-un (The Story Bag, 1955), e em enciclopédias coreanas modernas. Ladrilhos de telhado do reino de Silla com rostos de monstros são por vezes chamados de “ladrilhos de dokkaebi”, mas essa identificação é popular e discutida: os estudiosos os veem também como guardiões de outra natureza. O registro textual mais antigo e a evolução da figura permanecem incertos.
Recompensa os pobres que o tratam bem, dando dinheiro ou comida. Os contos da generosidade premiada são os mais conhecidos.
Prega peças em viajantes, como fazê-los andar em círculos à noite ou propor lutas de ssireum sem fim.
Em várias regiões, a luz pálida vista em campos e pântanos é chamada de “fogo do dokkaebi”, ligando o ser a fenômenos como o fogo-fátuo.
Alguns estudiosos discutem a possível aproximação entre a imagem do dokkaebi e a do oni japonês, e há esforços contemporâneos para destacar o dokkaebi como figura coreana, com traços e histórias próprios. Essa disputa pela identidade da figura é um tema moderno. Hoje o dokkaebi é muitas vezes apresentado como símbolo de humor e esperteza popular do folclore coreano.
A série sul-coreana Goblin (também chamada Guardian: The Lonely and Great God, tvN, 2016–2017) popularizou o tema internacionalmente, embora seu protagonista seja um guerreiro imortal e não corresponda ao dokkaebi tradicional dos contos. O ser aparece também em animações infantis e jogos, sempre como releitura moderna.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Raposa de nove caudas dos contos coreanos, que assume forma de mulher bela para enganar e, em muitas versões, devorar homens. Algumas histórias lhe dão final trágico.
Pequeno ser solitário do folclore irlandês, retratado como sapateiro matreiro que guarda um tesouro e escapa de quem o captura.
Espírito doméstico das Terras Baixas escocesas e do norte da Inglaterra que realiza trabalhos à noite em troca de comida simples e vai embora se for ofendido.
Raposa dotada de poderes sobrenaturais no folclore japonês, a kitsune muda de forma, engana e seduz, mas também surge como mensageira da divindade Inari e esposa fiel em muitos relatos.
Seres das montanhas japonesas, os tengu ora aparecem como demônios orgulhosos que perturbam o budismo, ora como guardiões dos montes e mestres de artes marciais.
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