Naga
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático.
Também conhecido como: Rainbow Serpent, Ngalyod, Yurlunggur, Wagyl, Ungud
Nome genérico dado por antropólogos a seres-serpente ligados à água, à chuva e à criação da paisagem em muitas tradições dos povos aborígenes australianos, cada qual com nome e histórias próprios.
A expressão “Serpente Arco-Íris” foi cunhada em inglês por A. R. Radcliffe-Brown, em 1926, e retomada por antropólogos como A. P. Elkin, que notaram a recorrência de grandes serpentes aquáticas ligadas ao arco-íris em tradições de diferentes regiões da Austrália. O rótulo é um conceito de pesquisadores: cada povo tem nome, histórias e regras próprias, e muitas dessas figuras não são, para quem as vive, iguais entre si.
Em geral, trata-se de um ser ancestral do tempo da criação, que se move por terras ainda sem forma e deixa rios, lagos e poços como marcas do seu trajeto. Os aborígenes australianos chamam esse conjunto de histórias de várias maneiras, e o termo inglês Dreamtime, muito usado fora, é considerado simplificador por muitos estudiosos e comunidades. A antiguidade das imagens é debatida: pesquisas de arte rupestre em Arnhem Land sugerem representações de serpentes de milhares de anos, mas a interpretação delas é contestada.
As descrições variam muito. Em Arnhem Land, a arte em cascas de árvore e em rocha mostra figuras serpentiformes com cabeça híbrida, às vezes com traços de cangurus, crocodilos ou peixes. No sudoeste, o Wagyl dos noongar é uma serpente que molda os rios. O arco-íris é frequentemente a manifestação visível do ser, quando ele se move entre poços ou emerge do chão. Quando se trata de imagens específicas, convém lembrar que algumas são restritas e não devem ser divulgadas.
Nas narrativas publicadas por antropólogos, o ser-serpente cria a paisagem, faz brotar fontes e poços e determina onde a água está. Pode também punir quem quebra regras, provocando enchentes, secas ou doenças, ou engolindo pessoas, que às vezes são devolvidas, transformadas ou acabam como parte da paisagem. Assim, é ao mesmo tempo origem de vida e fonte de perigo.
Entre os kunwinjku de Arnhem Land, Ngalyod é associado à estação das chuvas e às águas da região. Entre os yolngu, Yurlunggur aparece em cantos e cerimônias ligadas a clãs específicos. Em outros lugares, há histórias de duas serpentes ou de seres femininos e masculinos. Muitas dessas narrativas são contadas apenas para pessoas autorizadas, e o que está publicado representa apenas uma pequena parte.
Para os povos envolvidos, o ser-serpente expressa o laço entre as pessoas, a água e a terra, e a responsabilidade de cuidar do lugar conforme a lei ancestral. Antropólogos também veem nele um símbolo de fertilidade, de regulação das estações e de transição entre mundos. Essas leituras são acadêmicas, e o significado pleno das figuras pertence a cada comunidade.
As fontes publicadas vêm de antropólogos do século XX: Radcliffe-Brown escreveu sobre o mito em 1926 e, junto com Elkin, em artigos de 1930, e Ronald Berndt documentou cultos de Arnhem Land em obras como Kunapipi (1951). Esses trabalhos foram feitos por pesquisadores de fora, em contextos coloniais, e hoje são lidos com cautela. Também há relatos e pinturas de artistas aborígenes, e é a essas vozes e às instituições de cada povo que se recomenda recorrer para conhecer uma narrativa específica.
Ser ligado às águas e à estação das chuvas, entre os kunwinjku, retratado em arte rupestre e em pinturas sobre casca.
Figura dos yolngu, presente em cantos e em arte cerimonial de clãs específicos.
Entre os noongar, serpente que moldou rios e lagos da região de Perth.
Termo associado a povos do Kimberley, como os ngarinyin, para o poder criativo ligado à água e à serpente.
A ideia de uma única “Serpente Arco-Íris” pan-australiana é discutida por pesquisadores, que apontam o risco de apagar diferenças entre povos. Hoje, artistas e líderes aborígenes participam do debate público, de disputas territoriais e do ensino de suas culturas. Em decisões sobre mineração e uso da terra, lugares ligados a seres ancestrais já foram invocados por comunidades.
A Serpente Arco-Íris aparece em livros infantis, arte turística e em nomes de eventos, como o Rainbow Serpent Festival, de música eletrônica, realizado em Victoria desde o fim dos anos 1990. Muitas dessas representações misturam tradições ou simplificam o tema, e parte delas é criticada por comunidades aborígenes.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Seres-serpente das tradições hindu e budista, guardiões de águas e tesouros. Podem proteger ou punir, e dão origem a mitos de fundação no Sudeste Asiático.
Criatura composta ligada à chuva, às águas e ao poder legítimo. O lóng chinês não é o monstro a ser vencido do Ocidente, e sim uma força que rege as águas.
Seres das tradições māori ligados a rios, mares e cavernas, às vezes guardiões de um povo e de um lugar, às vezes ameaças, e ainda presentes na cultura contemporânea de Aotearoa.
Serpente de fogo do folclore brasileiro, de origem tupi, ligada à luz que corre pelos campos à noite e, em muitas versões, guardiã das matas contra quem as incendeia.
Divindade nahua da Mesoamérica, a Serpente Emplumada, ligada ao vento, à criação dos humanos e ao saber, e também nome de um sacerdote-rei lendário de Tollan.
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