Kappa
Criatura aquática do folclore japonês, o kappa tem um prato com água na cabeça, gosta de pepinos e de lutar sumô, e é acusado de afogar pessoas e animais.
Também conhecido como: Thikoloshe, Tikoloshe
Ser malévolo do folclore zulu e xhosa, pequeno e ligado à água e à feitiçaria, cuja crença persiste na vida cotidiana de partes da África do Sul. (pronúncia aproximada: to-ko-LÓ-xe)
O tokoloshe é um ser do folclore de povos de língua nguni, como zulu e xhosa, e de tradições vizinhas, em que figuras semelhantes aparecem sob nomes como thokolosi, em sotho. A forma zulu é uthikoloshe, e a etimologia é incerta. Em geral, descreve-se um espírito pequeno e travesso, ligado a rios e lagos, que pode ser invocado ou enviado por quem pratica feitiçaria contra um inimigo.
Como nos demais seres africanos de feitiçaria, é importante lembrar que o tokoloshe faz parte de um sistema de crenças sobre doença, azar e inveja, e não de simples contos de fada. Estudos de etnografia médica, como o de Harriet Ngubane (Body and Mind in Zulu Medicine, 1977), mostram como a feitiçaria e outros agentes entram na explicação de males do corpo e das relações sociais entre os zulu.
Os relatos descrevem um ser baixo, do tamanho de uma criança pequena, com aspecto de homem peludo ou de rosto estranho, às vezes com cabeça grande ou membros curtos. A crença popular diz que ele pode ficar invisível ao engolir uma pedra, e que só crianças, sangomas ou algumas pessoas o enxergam. As descrições variam e não há um desenho único; a imagem difundida em desenhos e filmes é recente.
Segundo a tradição, o tokoloshe é invocado ou comprado por um feiticeiro (umthakathi) para atormentar a vítima: provoca doenças, pesadelos, mortes e agressões durante a noite. A crença mais conhecida sobre ele, repetida em reportagens e estudos, é a de que ele ataca pessoas que dormem, e por isso muitos levantam a cama sobre tijolos ou pedaços de madeira para ficar fora de seu alcance. Isso é uma prática relatada, não um fato sobre o ser.
Para se proteger, recorre-se a curandeiros tradicionais, a rituais, a objetos protetores e, em alguns casos, a líderes religiosos cristãos. Algumas pessoas afirmam que o tokoloshe pode ser expulso por quem tem poder espiritual maior que o do feiticeiro que o enviou. As versões sobre a origem do ser variam, e há quem o descreva como espírito da água, quem o tenha por servo de feiticeiros e quem veja nele uma criatura gerada magicamente.
Para as comunidades, o tokoloshe oferece uma explicação para infortúnios que parecem sem causa e expressa o medo da inveja e da feitiçaria entre vizinhos ou parentes. Alguns autores o relacionam a temas de desigualdade, vida urbana e trabalho migrante; a prática de elevar camas é relatada em contextos urbanos, e há quem a explique também por razões práticas. São interpretações, e o seu peso varia entre grupos.
O tokoloshe aparece em registros etnográficos e missionários sobre os zulus e outros povos da região, com documentação antiga escassa, e a crença é situada por estudos de medicina tradicional e feitiçaria, como o de Harriet Ngubane (1977). O material é em grande parte colhido por observadores de fora, o que exige cautela com descrições exageradas ou sensacionalistas. A tradição oral é mais rica que os registros, e a crença contemporânea é documentada por reportagens e pesquisas de campo.
Uthikoloshe ou utikoloshe: servo ou criação de feiticeiros, ligado à água, que ataca durante o sono.
Em sotho, o nome thokolosi designa seres semelhantes, também associados à feitiçaria e a ataques noturnos.
Nas cidades, a crença se adaptou ao cotidiano, com histórias de moradias, trens e locais de trabalho. A figura aparece também em piadas e discursos populares.
Estudos sobre feitiçaria e modernidade na África do Sul mostram que a crença no tokoloshe não desapareceu com a urbanização, e que é invocada para explicar crises de saúde, desemprego e conflito. Historiadores lembram que, durante o colonialismo e o apartheid, a figura foi muitas vezes tratada com zombaria por brancos, o que reforça a necessidade de cuidado ao escrever sobre ela.
O tokoloshe aparece em romances, filmes e programas sul-africanos, como o filme de terror The Tokoloshe (2018), de Jerome Pikwane, e em desenhos e campanhas de publicidade. Essas representações costumam ser sensacionalistas ou cômicas, e não refletem a gravidade com que a crença é vivida por muitas pessoas.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Criatura aquática do folclore japonês, o kappa tem um prato com água na cabeça, gosta de pepinos e de lutar sumô, e é acusado de afogar pessoas e animais.
Espírito doméstico das tradições eslavas, o domovoi vive atrás do fogão ou sob a soleira e zela pela casa e por seus animais, desde que seja tratado com respeito.
Crença europeia de que o povo feérico trocava um bebê humano por um substituto. A tradição serviu para explicar doenças, deficiências e também para justificar violência.
Espírito das águas venerado em vastas áreas da África Ocidental e Central e na diáspora, ligado à riqueza, à beleza e à cura, mas capaz de punir quem a ofende.
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