Kitsune
Raposa dotada de poderes sobrenaturais no folclore japonês, a kitsune muda de forma, engana e seduz, mas também surge como mensageira da divindade Inari e esposa fiel em muitos relatos.
Também conhecido como: Ananse, Anancy, Nanzi, Kwaku Ananse
Aranha trapaceira das histórias dos povos akan de Gana, que levou o saber e as narrativas ao mundo e atravessou o Atlântico com os africanos escravizados. (pronúncia aproximada: a-NÃ-si)
Anansi é o protagonista de um enorme ciclo de histórias dos povos akan, que habitam Gana e áreas vizinhas. Em twi, ananse quer dizer aranha, e as narrativas são chamadas de anansesem, histórias de aranha. Ele pode ser um homem, uma aranha ou um híbrido, e costuma ser pai de família com esposa, Aso, e filhos. A tradição é oral e permanece viva, com variantes ligadas a cada contador.
O vínculo de Anansi com Nyame, o deus do céu, aparece em muitas histórias, nas quais ele negocia, rouba ou compra algo do poder divino. Alguns relatos o apresentam como figura quase cosmogônica, que teria participado da criação de aspectos do mundo, embora isso não seja uniforme. Estudiosos o veem como um personagem cômico e filosófico, que ensina ao rir da astúcia e da ganância.
Anansi aparece ora como aranha comum, ora como homem pequeno e magro, ou como criatura que alterna os dois aspectos, sem uma forma canônica. A tradição oral se interessa menos por sua aparência do que por seus atos: o corpo é o de quem sobrevive com inteligência, não com força. Ilustrações modernas o mostram como aranha de chapéu ou homem de oito membros, convenções que variam por artista.
A narrativa mais conhecida é a que explica como as histórias passaram a ser conhecidas pelos humanos: Anansi quer comprar as histórias que pertencem a Nyame e recebe tarefas quase impossíveis, como capturar a píton, as vespas e outros seres. Ele cumpre cada uma com artimanha, e por isso as histórias passam a ser chamadas de histórias de aranha. Esse relato foi registrado por R. S. Rattray, que coletou narrativas akan na década de 1920.
Em outras histórias, Anansi engana animais maiores para obter comida, mas também é enganado, punido por sua gula ou vaidade e obrigado a recomeçar. Esse ciclo de êxito e fracasso faz dele um trapaceiro ambivalente, e não um vilão ou herói simples. Cada história termina com um ensinamento ou uma explicação, como a origem de uma característica animal.
Anansi representa a inteligência do mais fraco contra os poderosos, e a palavra, as histórias e o saber como forma de poder. Na diáspora, muitos estudiosos o leem como símbolo de resistência cultural e de sobrevivência sob a escravidão, ao mostrar quem não tem força vencendo pela astúcia. Essa leitura é interpretativa e comum nas obras sobre a Jamaica, mas não é a única possível.
O registro mais usado é o de R. S. Rattray, Akan-Ashanti Folk-Tales (1930), com histórias coletadas em Ashanti e traduzidas, mas o material oral é muito mais antigo. Na diáspora, há coleções do Caribe a partir do século XIX e da Jamaica do século XX. Pesquisas como as de Robert D. Pelton sobre o trapaceiro na África Ocidental e Emily Zobel Marshall sobre Anancy na Jamaica mostram como os relatos se transformaram em novos contextos.
A forma tida como original: Ananse, a aranha ligada a Nyame, protagonista de histórias contadas à noite, em geral para entreter e instruir.
Anancy é celebrado como símbolo de esperteza e sobrevivência. Contadores como Louise Bennett-Coverley (Miss Lou) o popularizaram na performance e na poesia.
Em Suriname, as histórias são conhecidas como Anansi Tori. Em Curaçao e Aruba, como Nanzi, e adaptam personagens e cenário locais.
Pesquisadores e escritores veem em Anansi uma ponte entre a África e as Américas, e uma lição de como a cultura sobrevive à violência. Nas escolas de Gana e do Caribe, as histórias são usadas em educação e em reafirmação da identidade. Os contadores contemporâneos mudam o enredo para temas atuais, como política, tecnologia e racismo.
Anansi aparece nos livros ilustrados A Story, a Story, de Gail E. Haley (1970), e Anansi the Spider, de Gerald McDermott (1972), e nos romances de Neil Gaiman American Gods (2001), com Mr. Nancy, e Anansi Boys (2005). São versões modernas e ocidentais, que usam a figura de forma livre e não substituem a tradição dos akan.
Representações populares são criações de autores e estúdios e não devem ser confundidas com a tradição que originou o ser.
Raposa dotada de poderes sobrenaturais no folclore japonês, a kitsune muda de forma, engana e seduz, mas também surge como mensageira da divindade Inari e esposa fiel em muitos relatos.
Moleque travesso de uma perna só, carapuça vermelha e cachimbo, que aparece em redemoinhos. A figura consolidada é do século XX, com origens tupi, africana e europeia discutidas.
Pequeno ser solitário do folclore irlandês, retratado como sapateiro matreiro que guarda um tesouro e escapa de quem o captura.
Mais da tradição África Ocidental e Central: Mami Wata.
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